Aproveitando esse novo formato do blogue (não custa nada tentar, não é mesmo?), vamos comentar alguns livros que estão sendo lançados, e que daqui a pouco serão levados às livrarias de São Paulo... e, com um pouco mais de atraso, claro, de todo o Brasil.
Para começar, temos um novo juvenil de Roberto Barbato Jr., e com ilustrações de Otávio Zani, "Mistério na Zona sul", de cerca de cento e cinquenta páginas. A história é protagonizada por três jovens jornalistas, metidos num bom enredo urbano e policial: uma misteriosa denúncia anônima (um envelope deixado sobre a mesa, no saguão d' "A Gazeta") delata um horrível e estranho crime, que... bem, para não adiantar muito, basta dizer que é um crime contra crianças. E é essa a deixa que o escritor Roberto Barbato, sociólogo e advogado de formação, usou para debater questões importantes sobre a condição da criança, com a profundidade de quem conhece as questões que trabalha, refletindo inclusive sobre a nossa história. O melhor: num enredo policial envolvente, voltado para o público juvenil, aquele que se diz adolescente mas no fundo quer ganhar presente do Dia das Crianças.
Aos curiosos, o escritor escreve no blogue http://lapisimpreciso.blogspot.com Mas, ainda em matéria de (boa) literatura, temos também um outro lançamento... embora o texto seja de quase cem anos atrás - continuamos preocupados com a tradução e divulgação de clássicos da literatura universal:
São os "Contos de piratas", com cerca de cento e vinte páginas, do famoso Sir Arthur Conan Doyle. Quer dizer, talvez famosa mesmo seja a sua principal personagem, o detetive Sherlock Holmes, que de tanto sucesso que obteve deixou praticamente todas as outras obras de Conan Doyle à sua sombra. O que é uma pena, verdade seja dita, pois com a mesma habilidade com que desenhou o excêntrico investigador, seu companheiro Watson e todos os crimes fantásticos e bem narrados, Conan Doyle também se dedicou com afinco à ficção científica (veja-se, por exemplo, O mundo perdido (1912), que inspiraria o sucesso cinematográfico Jurassic Park) e principalmente aos romances, novelas e contos ditos históricos. Como é o caso dos "Contos de piratas", que giram em torno de piratas que realmente existiram - Conan Doyle se ocupou somente em recriá-los, e às suas aventuras, com toda a força narrativa que usa em seus policiais e histórias de suspense, técnicas de quem escreveu durante muitos anos histórias para jornais.
O livro conta, inclusive, com pequenas biografias de piratas envolvidos nas histórias, trabalho do organizador e tradutor Eduardo San Martin.Por fim, saindo do campo da literatura de ficção para o campo das Ideias... este mês também lançaremos os escritos "A questão do fim da arte em Hegel", do professor do departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo Marco Aurélio Werle, que atualmente ministra um curso sobre a Estética na filosofia alemã, desde o Romantismo ao pensamento de Hegel. Só por si, o tema já é polêmico, e diversas vezes o "fim da arte" foi proclamado ao longo dos últimos dois séculos. Mas as diversas perspectivas de seu enterro sempre determinaram a direção da sentença, isso é, se a arte teria de fato seu fim, ou se se fundiria a outras instâncias da vida e da sociedade, etc. A forma como tal problema figura na filosofia de um dos mais importantes pensadores de todo o ocidente traz consigo o local da arte em seus planos e ideias sobre a humanidade.
Há algum tempo Werle já se ocupa da parte do pensamento de Hegel voltada à Estética, parte da filosofia que se consagrou nos finais do século XVIII como discurso sobre "as belas artes" e seu papel filosófico; colaborou na tradução dos "Cursos de estética" (Edusp, 1999 - 2004), e também publicou o livro "A poesia na estética de Hegel" (Humanitas, 2005). Mais que um discurso especializado sobre uma matéria filosófica qualquer, a proposta do livro, ao abordar a questão da arte na visão de um grande filósofo, envolve todos aqueles a quem a arte possa despertar interesse ou paixão. Apesar de crítica de arte exercer, hoje, seu monopólio absoluto sobre o pensamento artístico, o pensamento filosófico ainda tem muito a nos dizer sobre o que exatamente a arte significa para as nossas vidas.
Enfim, são basicamente esses três. Há ainda, como coloquei na penúltima postagem, a reedição da Trágica história do doutor Fausto, que volta agora às livrarias num formato maior, mais bem acabado, muito bonito, enfim. Por enquanto é isso.Boas leituras