Uma das obras de maior êxito e repercussão, cujos versos figuram entre os mais comhecidos do poeta e dramaturgo espanhol Federico García Lorca, Romanceiro cigano (Romancero gitano) reflete a fusão entre o popular e o erudito. Nos poemas que compõe o livro, uma evocação à vida e cultura dos ciganos da Andaluzia, a linguagem lírica encontra a linguagem narrativa, característica da tradição hispânica dos romances.
[leia mais]
Imagens de García Lorca e o "Romance de la luna, luna" - música, Carmen París.
Romance de la luna, luna
A Conchita García Lorca
La luna vino a la fragua
con su polisón de nardos.
El niño la mira, mira.
El niño la está mirando.
En el aire conmovido
mueve la luna sus brazos
y enseña, lúbrica y pura,
sus senos de duro estaño.
Huye luna, luna, luna.
Si vinieran los gitanos,
harían con tu corazón
collares y anillos blancos.
Niño, déjame que baile.
Cuando vengan los gitanos,
te encontrarán sobre el yunque
con los ojillos cerrados.
Huye luna, luna, luna,
que ya siento los caballos.
Niño, déjame, no pises
mi blancor almidonado
tocando el tambor del llano.
Dentro de la fragua el niño
tiene los ojos cerrados.
Por el olivar venían,
bronce y sueño, los gitanos.
Las cabezas levantadas
y los ojos entornados.
¡Cómo canta la zumaya,
ay, cómo canta en el árbol!
Por el cielo va la luna
con un niño de la mano.
Dentro de la fragua lloran,
dando gritos, los gitanos.
El aire la vela, vela.
El aire la está velando.
Romance da lua, lua
A Conchita García Lorca
A lua chegou à forja
com sua anquinha de nardos.
O menino olha-a, olha.
O menino a está olhando.
Pelo vento comovido
a lua move seus braços
e exibe, lúbrica e pura,
seus seios de duro estanho.
Foge lua, lua, lua.
Se viessem os ciganos,
com teu coração fariam
anéis e colares brancos.
Menino, deixa que eu dance.
Quando vierem os ciganos,
te acharão sobre a bigorna
com os olhinhos fechados.
Foge lua, lua, lua,
que já pressinto os cavalos.
Guri, deixa-me, não pises
o meu brancor engomado.
tocando o tambor do plaino.
Dentro da forja o menino
está de olhos fechados.
Vinham pelo oliveiral,
bronze e sonho, os ciganos.
As cabeças levantadas
e os olhos semicerrados.
Como canta o bacurau,
ai, como canta no galho!
Pelo céu a lua segue
com um menino nos braços.
Lá, dentro da forja, choram,
dando gritos, os ciganos.
Os ares velam-na, velam.
Os ares a estão velando.
A introdução da publicação, escrita por Fábio Aristimunho Vargas, tradutor e organizador do Romanceiro cigano, bem como da nossa coleção Poesias de Espanha: das origens à Guerra Civil, em quatro volumes:Poesia basca, Poesia catalã, Poesia espanhola e Poesia galega, pode ser lida a seguir.
Lorca: Romanceiro Cigano - Introdução, por F. Aristimunho
Leia também, neste post sobre a coleção Poesias de Espanha: das origens à Guerra Civil, o artigo "Um Tradutor de Antologia", de Melcion Mateu, no Jornal Avui, de Barcelona. No mesmo post há ainda um texto do nosso editor e a versão eletrônica integral do livro Poesia espanhola: das origens à Guerra Civil.
Neste outro post, por ocasião do Dia Internacional da Poesia, disponibilizamos para leitura mais um volume da coleção: Poesia galega.
Federico García Lorca musicalidade de uma ruptura poética
Romilda Mochiuti [APROPUC - SP]
Romance Sonámbulo [Fragmento]
Verde que te quiero verde.
Verde viento. Verdes ramas.
El barco sobre la mar
y el caballo en la montaña.
Con la sombra en la cintura
ella sueña en su baranda,
verde carne, pelo verde,
con ojos de fría plata.
Verde que te quiero verde.
Bajo la luna gitana,
las cosas la están mirando
y ella no puede mirarlas.
" ... un reportaje que se centra en la vida y la muerte dentro de la obra del poeta, dos conceptos existencialistas que impregnaron tanto de su poesía, como la prosa y el teatro."
FEDERICO GARCÍA LORCA - 1