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  • Escrava Isaura vai à Moldávia

    • 9 May 2012
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    • Best European Fiction 2011 Escrava isaura Fernando Kablin Hedra Iulian Ciocan Moldávia
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    658x0_ciocan

    Caros leitores,

    Vocês lerão abaixo um texto de Iulian Ciocan, autor nascido na República da Moldávia, membro da União de Escritores da Moldávia, da União de Escritores da Romênia e do PEN Club da República da Moldávia. Além de diversos títulos de crítica literária, publicou os romances Înainte să moară Brejnev (Antes de Brejnev Morrer) (Editora Polirom de Iasi, 2007) e Tărîmul lui Saşa Kozak (A Terra de Sasha Kozak) (Editora Tracus Arte de Bucureşti, 2011). O trecho a seguir faz parte da antologia Best European Fiction 2011, organizada por Aleksandar Hemon, e nos foi gentilmente cedido pelo próprio autor.

     

    Iulian Ciocan nasceu em 06 de abril de 1968 em Kishinev, República da Moldávia. Formou-se pela Faculdade de Filologia da Universidade “Transilvania” de Braşov (Romênia) em 1995. É autor dos títulos de crítica literária Metamorfoze narative (Editora Arc, 1996) e Incursiuni în proza basarabeană (Editora Arc, 2004). Em 2007, a Editora Polirom de Iaşi publicou seu romance Înainte să moară Brejnev (Antes de Brejnev morrer), traduzido em tcheco (Nez zemrel Breznev, Editora Dybbuk, Praga, 2009) e, em 2011, a Editora Tracus Arte de Bucureşti publicou seu romance Tărîmul lui Saşa Kozak (A terra de Sasha Kozak). Um fragmento de seu último romance – Tuşa Frosea (Dona Frosina) – faz parte da antologia organizada por Aleksandar Hemon Best European Fiction 2011 (Editora Dalkey Archive Press, Champaign, EUA). É também comentarista da estação de rádio Europa Livre desde 1998. Membro da União de Escritores da Moldávia e da União de Escritores da Romênia, membro do PEN Club da República da Moldávia.

    Fernando Klabin nasceu em São Paulo (SP) e formou-se em ciência política pela Universidade de Bucareste, Romênia, onde reside desde 1997. Do romeno traduziu, entre outras obras, Senhorita Christina, de Mircea Eliade (Tordesilhas); Acontecimentos da irrealidade imediata, de Max Blecher (Globo); Uma outra juventude e Dayan, de Mircea Eliade (Editora 34); poemas de Marin Sorescu e Geo Bogza publicados pela revista Poesia Sempre. Para a Hedra traduziu direto do romeno Nos cumes do desespero, de Emil Cioran.

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  • Lulismo, carisma pop e cultura anticrítica

    • 18 Feb 2012
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    • Coleção_Que Horas São? Política lançamento
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    Lula_capa

    Há quem diga que é impossível fazer história de fatos ainda muito presentes. Este seguramente não é caso do livro Lulismo, carisma pop e cultura anticrítica. Escrito de maneira crítica pelo psicanalista Tales Ab'Saber, a obra trata do fim do período Lula de maneira ampla e contundente, sem cair no elogio ou na mera negação dos fatos. Afinal, há um consenso sobre os avanços do governo Lula, que fizeram com que sua figura se tornasse universalmente unânime e infinitamente maior  que seu partido, além de transformar toda a crítica possível a uma politica consensual – ou anticrítica – em uma verdadeira impossibilia. Há no senso comum o fato que de o ex-presidente possui um carisma pop, uma força política que o permite dirimir todas as diferenças, até mesmo de classe, num pacto político-social em que todos estariam de acordo com os bons rumos genéricos da economia, e com a inclusão dos excluídos no mundo do mercado. Este feito político inédito se apresenta como espécie de recalque, discurso sobre o qual estamos todos de acordo, mas curiosamente ele não está manifesto em lugar algum. E como senso comum mudo, o carisma do presidente transbordou para todo seu governo, tomando não só as esferas da vida pública, mas também aquelas da cultura, às voltas agora com o simplesmente consensual e mercadológico. Talvez seja essa a melhor tradução do espírito da época: o Lulismo.

    Com fotos de João Bittar, em parceiria com a Ímã Foto Galeira.

    Confira abaixo todo o conteúdo do livro.

    Lulismo, carisma pop e cultura anticrítica, por Tales Ab'Saber

     

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  • Poesia e romantismo ingleses

    • 12 Dec 2011
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    A editora Hedra lança, neste finzinho de ano, a caixa "Poesia romântica inglesa", com edições bilingues de Lord Byron. John Keats, William Blake e Percy Shelley.

    Dos quatro poetas românticos, compilados nesta nossa nova coleção, Lord Byron (1788-1824) é provavelmente o mais conhecido. E também provavelmente o que mais se encaixa no ideal comum que existe sobre o romantismo: arrebatado, entusiasmado, exilado constante e morto de forma trágica e heroica.

    Mas contraditórios, loucos, impulsivos, muitas vezes à beira do irracionalismo e da religiosidade, os românticos em geral (e seus emblemáticos representantes ingleses), em sua busca essencialmente subjetiva, expressaram-se em diversos tons, sem mudar as premissas ou problemas fundamentais de suas obras. Citemos William Blake (1757-1827), a título de exemplo, para contrapor ao famoso romantismo byroniano. Tudo que em Byron surge como arroubo de emoção, como impulso desenfreado em direção ao mundo (lembremos que Byron morreu na Grécia, aos 36 anos de idade, organizando uma milícia para lutar pela independência do país que, então, se encontrava sob o domínio turco), ou como paixão ardorosa pelas muitas mulheres de sua vida, em Blake aparecerá sob outros sinais: os do misticismo, da religiosidade e da contemplação do Divino. Divino este que, importante notar, é uma descoberta estritamente pessoal do autor: isolando-se da sociedade, como gênio incompreendido ou inclinado ao infinito, à transcendência, o poeta romântico faz-se profeta, mediador entre o mundo que tenta negar e o Deus que, sozinho, escuta e transcreve em seus versos. O título que vem nesta caixa, O casamento do Céu e do Inferno, exemplifica bem todas essas questões.

    Blake

    [Ilustração feita por Blake para O casamento...]

    Mas estes são casos mais extremos, e específicos. Aqui, nos servem como um panorama. Se passarmos para a poesia de John Keats (1795-1821) e de Percy Shelley (1792-1822), bem como para outros românticos de outros países e épocas, encontraremos temáticas semelhantes - a natureza, a morte, o divino, o profético - tratadas de outras maneiras. Porque, se há um conceito fundamental a qualquer romantismo, desde o mais melancólico até o mais arrebatado, é o de Gênio, a subjetividade criadora que, em seus arroubos de inspiração, gera e concebe a arte, como Deus. Cada romântico cria o seu Deus, seu inferno, seus amores, e a tragédia que encerra sua vida.

    Todas as edições são bilingues, permitindo aos interessados, que não dominam à língua inglesa, através da comparação ou de uma leitura rápida, terem uma noção ou impressão da força do texto inglês. Ou simplesmente fruir das traduções de Ivo Barroso  e Péricles da Silva Ramos, este último tradutor de três dos livros compreendidos neste nosso lançamento, frutos de uma pesquisa e dedicação às contradições e delírios do romantismo da Inglaterra.

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  • Lançamento dos "Contos de Sebastopol", de Liev Tolstói

    • 28 Nov 2011
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    Convidamos a todos para o lançamento dos Contos de Sebastopol, de Liev Tolstói, inéditos em língua portuguesa, que acontecerá amanhã no Rio de Janeiro.
    Relato dos horrores da guerra, e dos movimentos psicológicos dos homens que a fazem, esses contos, escritos a partir da experiência de Tolstói no campo, já anunciam toda a genialidade e a problemática do autor de "Guerra e paz", na integração do homem aos eventos de seu tempo, na sua relação com a morte, no seu convívio com os outros homens.

    Click here to download:
    Convite_lançamento_v3_(2)_(1).pdf (223 KB)
     

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  • O estranho caso de Robert Stevenson

    • 17 Nov 2011
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    Naquela noite cheguei à encruzilhada fatal. Se tivesse empreendido a minha descoberta com espírito mais nobre, se tivesse me arriscado naquela experiência quando sob a influência de aspirações generosas ou piedosas, tudo poderia ter sido diferente, e, daquelas agonias tão intensas quanto as da morte e do nascimento, eu poderia ter emergido como um anjo, ao invés de um demônio. A ação da droga não discriminava; não era em si diabólica nem divina; ela apenas arrombava as portas da prisão da minha vontade; e como os cativos de Filipos, aquele que estava mais pronto foi o primeiro a fugir. Naquele momento minha virtude cochilava; minha maldade, mantida desperta pela minha ambição, estava alerta e pronta para aproveitar a ocasião; e a criatura que foi projetada foi Edward Hyde. Daí que, embora eu tivesse agora duas personalidades, bem como duas aparências, uma delas era totalmente maligna, e a outra era ainda o velho Henry Jekyll, aquele misto incongruente que eu já perdera as esperanças de mudar e aperfeiçoar. O movimento ocorrido, portanto, foi totalmente para pior.

    Robert Stevenson, O estranho caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde,
    Tradução de Braulio Tavares

     A narrativa de Stevenson sobre o médico inglês é talvez a mais famosa história de "duplos" da literatura universal, de tal modo que boa parte das pessoas que conhecem a história do Doutor Jekyll e  do Mr. Hyde provavelmente nunca leu o livro propriamente dito. O que é ótimo, e ao mesmo tempo uma lástima: ótimo por ser um daqueles casos em que a história, de tanto que tem a dizer ao seu público, ganha vida própria e se descola de suas condições iniciais e até de seu autor. Mas uma lástima justamente pela riqueza dessas condições iniciais e dessa relação com o autor, da forma onírica como o livro foi concebido e realizado.

     Toda a trama, ou melhor, toda a multiplicidade de cenas que constitui a trama apareceu a Stevenson primeiramente num sonho, ou pesadelo. O que mostra, como nos faz notar o tradutor Braulio Tavares na introdução a esta nossa edição, como o tema maior do livro , "a dualidade das mentes, o Eu que contém em si um Outro, já estava presente no momento mesmo da geração das imagens que deflagraram a narrativa". 

     

    Annex_-_march_fredric_dr
    Do filme de Rouben Mamoulian Dr. Jekyll and Mr. Hyde (1931)

     

    Depois disso, Stevenson escreveria a história num ritmo frenético, durante dias seguidos, fascinado com a ideia de que sua mente teria lhe mostrado uma história que ele somente acompanhava, curioso. O resultado foi uma narrativa sombria, fantástica não só no motivo mas também na forma de condução, e cheia de ambiguidades e contradições entre os diversos momentos da história. Ao que favorece a própria estrutura do romance, isto é, em diversas cenas e relatos dos envolvidos nos acontecimentos: não se pode esperar que o dr. Jekyll dê a mesma versão sobre os acontecimentos que deu o advogado que segue o caso, ou uma testemunha do crime, enfim. E neste ponto a maestria do autor sobre o fantástico se revela, pois, mais do que a descrição de um evento sobrenatural, ele se torna uma situação que, pela multiplicidade de visões que o descrevem, cresce e se contradiz quanto mais tentam torná-la verossímil.

    Esta edição foi fruto da pesquisa trabalhosa de Braulio Tavares, principalmente sobre dados históricos que se perderam e que foram deixados de fora em traduções anteriores. A pesquisa passou ainda por notas e textos de Stevenson sobre o processo de criação do romance, textos de sua família e de pensadores de seu tempo, todos compilados e traduzidos num formidável apêndice: dois textos do próprio autor, Um capítulo sobre o sonho, particularmente notável pela minuciosa análise a que o autor submete seu próprio processo criativo em suas relações com seus sonhos,  e Esse outro Eu, meu companheiro. Os outros textos são Quando ocorreu o pesadelo de Mr. Hyde, escrito por seu filho adotivo R. L. Stevenson, e Recordações de Mr. Hyde, de sua esposa Fanny Van de Grift-Stevenson.  A personalidade multiplex, de Frederic Myers, e As desintegrações do ego, de Henry Maudsley, estudos de dois professores e estudiosos da psicologia humana, contemporâneos do autor,  encerram este apêndice, mostrando a relevância que Stevenson teve, no campo da ficção, para os temas discutidos em seu tempo, e fechando o quadro de reflexões ligadas ao romance que temos o prazer de lançar.

     

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